oxigenio-dapalavra
Dança, cantarola, cigana dos olhos profundos, do cabelo escuro.
Bate o pé no chão de terra, chicoteia tua saia, arranca a flor vermelha e no teu cabelo guarde-a. Joga teu feitiço em quem te ver bailar, arranque almas num enredo que não se faz notar, leia o olhar de quem faminto quer te habitar. Cigana. Não deixes ninguém escapar das tuas entranhas.
Docismo (via oxigenio-dapalavra)
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Brasil, eis a terra que se plantando tudo daria. Não sabia o Caminha que brotaria tantos Josés e tantas Marias desse chão. E em nova era o velho verso soa - navegar é preciso, viver também - num país que poucos tem e o povo permanece parado. Não eram ervas daninhas, é um Francisco made China na 25 de março, é um João do Paraguai, é produto importado, é produto exportação, é original e de primeira, é a réplica do que deveria ser, é produto exploração!
Transtorno Poético.  (via oxigenio-dapalavra)
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Não desejaria, mesmo que pudesse, encerrar hoje, nestas páginas, a lembrança dos meus últimos anos de indizível miséria e crimes imperdoáveis. Esse período recente de minha vida alcançou subitamente um auge de torpeza da qual quero apenas determinar a origem. Os homens, em geral, tornam-se vis gradualmente. Mas, de mim, toda virtude se desprendeu num minuto, de repente, como um manto. Da perversidade relativamente comum, encontrei-me, a passo de gigante, em enormidades maiores que as de Heliogábalo. Permitam-me contar o acaso, o acidente único que me trouxe essa maldição. A morte se aproxima e a sombra que a precede lançou uma influência suavizadora em meu coração.
Edgar Allan Poe.  (via oxigenio-dapalavra)